SEGUNDA SEM CARNE
- 5 de nov. de 2018
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Tem dia melhor pra postar sobre esse tema? Em 2003, a ONU lançou um documento que demonstrava o impacto da criação de animais no meio ambiente. Paul McCartney, um dos quatro integrantes dos Beatles, lançou em contrapartida um projeto chamado Meat Free Monday. Como o nome aponta, a ideia do projeto é deixar a carne fora do cardápio uma vez na semana.
A campanha, que foi incorporada pela Sociedade Vegetariana Brasileira, prega diversos benefícios tanto para o corpo quanto para o mundo ao reduzir o consumo de proteínas animais. Alguns pontos a ressaltar:
Você sabia que cerca de 18% da emissão de gases causadores do efeito estufa são provenientes da pecuária? A atividade é responsável por emitir metano (na flatulência animal) e CO2 (no transporte).
Além disso, para produzir 1kg de carne, são necessários 15 mil litros de água (não... você não leu errado )
Toneladas de grãos são produzidos apenas para de alimento para os animais que serão posteriormente abatidos. São necessárias cerca que 6kg de proteína vegetal para produzir 1Kg de carne. Em um mundo no qual cerca de 1 bilhão de pessoas sofre de subnutrição, 1/3 da produção de grãos é utilizada para a pecuária, quantidade capaz de alimentar aproximadamente 3 bilhões de pessoas. Isso não é chocante?
A pecuária é causa de 80% do desmatamento do bioma amazônico e 14% do desmatamento do mundial.
Apesar de muita fiscalização e empenhos na melhoria da qualidade de vida dos animais, milhares de suínos, bovinhos e aves sofrem mals tratos em frigoríficos.
E para o corpo? Sabemos que a carne possui muita proteína necessaria para construção muscular e bom funcionamento do organismo. No entanto, os alimentos de origem animal requerem uma digestão gástrica prolongada podendo causar sensação de azia e queimação.
Sabemos que na alimentação, o equilibrio é essencial. A carne vermelha possui um alto teor de colesterol que pode causar problemas cardíacos e derrames. Além disso pesquisas apontam a relação do alto consumo de carne com obesidade e alguns tipos de câncer.
Esses são apenas alguns fatores que justificam a adesão à campanha e um olhar mais crítico em relação a quantidade consumida de carne diariamente.
Mas vem aquela velha pergunta... e a proteína? Existem diversas fontes vegetais de proteína como soja, lentilha, feijão, grão de bico, entre outras. No ovo-lacto-vegetarianismo podem ser consumidos comer ovos e derivados do leite que são fontes desse nutriente.
Quanto a mim? Minha irmã Fabiane é vegetariana há cerca de 10 anos. Foi ela quem mostrou a campanha e propôs que não comêssemos carne um dia por semana em casa. Eu, apreciadora de churrascos e carne mal passada, era sempre a do contra que abria uma lata sardinha na Segunda sem Carne. Revolta desnecessária. Ano passado, convivendo com pessoas que comiam bem menos carne que eu, percebi que estava exagerando e que não precisava de tudo aquilo (carne no café na manhã, almoço e janta). Resolvi parar de comprar carne e acabei quase zerando o consumo, preferindo sempre a opção sem carne em restaurantes e lanchonetes. Hoje hoje em dia consumo peixe como exceção (sushi... meu ponto fraco) e já consumi outras carnes em duas outras ocasiões complicadas (nessas ocasiões me sentiria pior recusando a comida que foi feita com tanto carinho do que comendo... escolhas são pessoais) .
Não acredito que todos somos obrigados a adotar o vegetarianismo. Eu mesma não sou Mas, nossas escolhas devem ser CONSCIENTE. Se você come, dê valor a comida. A chef Paolla Carosella deu um show sobre isso no Masterchef.
Quando eu finalmente percebi que eu comia MUITA CARNE, não consegui mais voltar a comer como antes. Não comer no dia-a-dia, não comprar em casa, é quase um pedido de desculpas pro mundo depois de tanto consumo desenfreado.
Ouvi a Monja Coen uma vez dizer que a possibilidade de escolha de alimentação é um privilégio (ela mesma não é vegetariana). Comer carne é luxo em muitas partes do mundo e nós, brasileiros, temos uma grande área de mata propicia para a criação desses animais. No entanto, será que não estamos abusando? Será que essa é a melhor maneira? Nossas ações afetam não só a nós mesmos. Temos que pensar globalmente.
Esse post é de imensa importância pra mim. Eu, que nunca liguei para o vegetarianismo da minha irmã, que sempre achei besteira e que não era problema meu, me vi, de repente, parte do mundo quando eu entendi que não estava fazendo NADA por ele, a não ser consumindo e poluindo desenfreadamente. O vegetarianismo é mais que uma dieta alimentar. Há uma série de consequências que começam em um simples e aparentemente inofensivo PF.
E aí, topa tentar?
Independente das suas escolhas, faça com #consciência.
Mariane Neiva
Motivação adicional:
ps.: a foto é do almoço de domingo da minha entusiasta da cozinha preferida Fabiane Neiva... ela idéias de pratos vegetarianos no insta dela e fala da relação com a comida no www.alohadacozinha.com.

Que legal! A tua história de vegetarianismo é diferente do comum. Sou vegetariano 12 anos e conheci pessoas com os mais diversos motivos, desde questões de saúde, até questões espirituais. Acho que todo mundo deveria experimentar. Às vezes fico pensando se as pessoas aceitam a carne como alimento só por terem nascido em uma sociedade que comer carne é obrigatório.