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PORQUE ESCOLHI COMPUTAÇÃO? COMO SE INSPIRAR NA BUSCA DE UMA PROFISSÃO * COM VIDEO*

  • 21 de nov. de 2018
  • 6 min de leitura

Atualizado: 10 de jan. de 2019


Em pleno 2018 ainda é muito pequeno o número de mulheres em cursos de Tecnologia. No final de 2013 apenas uma menina se formou em Ciência da Computação pela UFMS e em 2014 foram três. Lembro que no meu primeiro ano de faculdade, muitos dos meus veteranos me perguntavam o que eu estava fazendo naquele curso pois eu não tinha 'cara de Computação'. Ainda hoje, quando estou em uma festa as pessoas ainda se espantam quando eu falo que faço Computação. Sim, muitos de nós (me incluo diversas vezes) julgamos o livro pela capa, é aquele estereótipo de nerd, é o fato de ser mulher, é a combinação de tudo isso. 


E eu amo o que eu faço. 


Recentemente, a revista Vida Simples publicou como matéria de capa um texto com o título: Como encontrar o trabalho dos sonhos . O artigo me fez refletir muito sobre minha escolha e gostaria que ao ler o meu texto, voce também refletisse sobre porque você faz o que faz e se isso faz sentido para você.


Começo dizendo que não vivemos em um mundo cor de rosa onde todos tem condições de ter o trabalho dos sonhos como primeira opção. Muitas vezes, principalmente por questões financeiras, temos que escolher o trabalho que paga e só. A linha da vida nao é linear e é possível que a primeira (e até mesmo a segunda) escolha não seja a que mais te representa, cada um tem seu tempo (sem pressão para isso). Além disso, somos metamorfose e evoluimos ao longo da vida, mudando de ideia e se auto conhecendo.  No entanto, é importante refletir se existem possibilidades de renovação, de encaixar algo que gosta no trabalho atual ou como algo paralelo ou até se é só um caminho para o futuro. O que não podemos é ficar sempre frustrados porque não está tudo perfeitamente do jeito que achamos que deveria estar. Voces conhecem o caminho da vida acadêmica por exemplo? Pois é, deixa pra lá. Além disso,  acredito que para cada degrau que subimos sempre existirão mais dois para alcançar, somos impermanentes, somos gananciosos e isso não é necessariamente ruim. 


Mas vamos a minha escolha. 


Meu pai é aquele cara que veio do nordeste atras de melhores oportunidades no sul do Brasil (Mato Grosso do SUL). Ele lutou muito e conseguiu pagar a faculdade de Economia enquanto trabalhava como porteiro no Hospital Universitário. Com muito estudo e esforço, passou no concurso para professor universitário da UFMS e fez mestrado em Administração Rural na UFLA (Universidade Federal de Lavras). Com todo respeito, meu pai é f*. Eu não.


Eu nasci privilegiada. 


Esse cara f* que é meu pai sempre colocou a educação em primeiro lugar: escola particular, inglês e Kumon. Na escola também tinhamos natação, aula de dança e basquete. Aquelas tipicas crianças atoladas de atividade.  Minha família materna também tinha boas condições financeiras e nos proporciava o lazer durante o final de semana. Mas meu pai era o cara. Ainda é.


Pelo fato de ser professor, o computador apareceu lá em casa muito cedo. E desde então eu achei aquela caixa que saia uma luz maravilhosa. Como assim voce digita e aparece tudo ai? Como assim não precisa de máquina de datilografia e usar o correx do meu avo? Esse 'backspace' é mágico. Ainda por cima, meu pai digitava muito rápido. Me lembro bem quando ele me chamava e pedia para que eu fechasse seu olho e ele continuava digitando CERTINHO. Meu pai era de outro planeta, não era possível. E assim fuçando, que eu aprendi a usar o Word, o Paint, a Internet, a esperar o domingo para economizar (só gastava um pulso), a esperar meu pai sair do telefone, a dormir tarde porque de madrugada era mais barato. Eu digitava textos e textos no Word, comecei a ganhar dinheiro do meu pai para passar as transparências dele pro Power Point, usava cliparts e adorava aquele clips que dava dicas (alguém lembra?). 


Um dia fomos jantar na casa de um amigo do meu pai e eles tinham ADSL. O filho jogava jogos no site do Cartoon Network e não travava! Eu e minha irmã não queríamos mais sair de lá. Felizmente, meu pai pediu a instalação em casa no outro dia. Era o dia inteiro jogando meninas superpoderosas. Teve a época do Kazaa, quando eu vendia cds personalizados pra galera da escola (super empresaria da ilegalidade) e o Mirc (sabia todos os comandos de cor e salteado). 



A partir dai surgiram as atividades que acredito que tenham tido uma grande influencia na escolha da faculdade e na criação desse bloguinho. A era blogger!! Eu e minha irma criávamos templates para blogger. Funcionava assim: os códigos eram em html mas nós não sabíamos muito bem a linguagem. Então pegavamos alguns layouts-base que encontravamos na internet e trocavamos as imagens, mudávamos os tamanhos dos campos de cada área do blog, entre outro ajustes como alteração do CSS (o HTML estrutura a pagina web enquanto o CSS embeleza mudando a fonte, cores, entre outros) tudo para encaixar e combinar como o novo fundo. Nessa época também aprendemos a mexer no Photoshop para criar as imagens do layout e no Photo Bucket para hospedar imagens. Criávamos um blog no Blogger para colocar os novos códigos para quem quisesse usar.  

Na época também estava na moda aqueles gifs brilhosos com frases fofas. Eu perdia muito tempo fazendo isso, colocando frases de músicas EMO com glitter piscando e uma borboleta. Criei um site no Yahoo para hospedar os desenhos. 


Eu adorava. 


Minha irmã também era muito boa nisso, não é a toa que ela fez os zines mais lindos enquanto estava na faculdade de jornalismo e sabe tudo sobre como/onde hospedar blog, comprar domínio, entre outras coisas. 


Passa-se algum tempo, e é hora de escolher a faculdade. Meu sonho era fazer Engenharia Mecatrônica na Unicamp. No entanto, meu pai sempre falou do alto custo de vida de Campinas e nós não tínhamos muitas informações sobre alojamento, bolsa moradia e os auxílios que existem para alunos de universidades públicas. Portanto,  a opção mais próxima era estudar Ciencia da Computação na UFMS. Na minha cabeça só havia uma possibilidade, ou eu passava na federal, ou eu passava na federal. E deu certo.


A computação não tinha nada a ver com que eu fazia na era blogger. Não tinha gifs animados, não tinha templates fofinhos, não tinha aula de Photoshop, não tinha aula de hospedagem de sites. O ínicio era calculo 1, calculo 2, matemática discreta, álgebra linear, análise de complexidade e muitas disciplinas pareciam muito longe do que eu esperava de uma faculdade de Computação! Eu não sabia fazer um simples programa. 

No entanto, com o passar do tempo, vieram disciplinas  como computação gráfica, banco de dados e inteligência artificial. Enfim, a mágica daquela caixa inteligente ressurge ao longo da faculdade. Ser cientista da computação, para mim,  é solucionar problemas de forma automatizada. Muitas tarefas que demoravam horas para ser processadas por meio de folhas e folhas e cálculos manuais (sem tirar o mérito de quem ainda trabalha fazendo contas manualmente), podem ser feitas hoje dia ser gastar o lápis, ao clique de um botão. A computação é incrível pois está presente em quase todas as profissões. Seja ao fazer uso do Excel, do pacote Office, do AutoCAD, da Internet, do Google, .... 


Criar um programa é auxiliar diversas pessoas, é gerar qualidade de vida, reduzindo o tempo destinado a algumas tarefas e deixando tempo para o desenvolvimento de outras. É gerar informação para produzir conhecimento. É lindo. Eu sou do time que acredita que todo mundo deveria saber programar um pouquinho ou pra otimizar algumas coisa no trabalho ou só para entender a lógica de programação. 

A revista Vida Simples sugere buscar inspiração para o trabalho dos sonhos na infância. Ao resgatar essa experiencia com o computador, a magia por trás daquele digitar do meu pai, percebo que estou no lugar certo. Porque eu ainda acho o máximo sair de casa e deixar o 'computador trabalhando para mim'.


E ai, porque você faz o que você faz? O que te inspira? O que te emociona? O que te motiva?

Se você não tem certeza ainda, já tentou resgatar suas experiencias da infância? O que fazia por prazer? O que pesquisava por puro interesse pessoal e não financeiros? Talvez aí esteja a chave para eu trabalho dos sonhos.

Conta pra mim! 

Se você tem certeza que ainda não esta naquele lugar dos sonhos, paciência. Aproveite a caminhada!



Update: Transformei o texto em vídeo e aqui esta o link para o Youtube. Inclusive, se inscreve la! Vai ter bastante conteúdo dinâmico bem legal pra vocês




Beijos


Mariane Neiva.


ps.: Eu tive a honra de receber o canudo de formatura das mãos do meu pai. Apenas funcionários da UFMS poderiam entregar o canudo. 


1 comentário


henrique.b.toledo
08 de dez. de 2018

Que Top Má inspiradora a história do seu pai e a relação da sua vida c sua profissão 👍💙😁👏 Importante demais termos propósitos bem definidos!!

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