O QUE APRENDI NA FACULDADE DE COMPUTAÇÃO
- 30 de nov. de 2018
- 6 min de leitura

NÃO! EU NÃO VOU CONSERTAR SEU COMPUTADOR*!!
Tava demorando pra aparecer post novo aqui hein. Tem dias que a gente fica sem inspiração para escrever. É tanta coisa na cabeça que as vezes trava. Quem nunca?
Bom, vamos voltar para a computação. Primeiro gostaria de dizer que falo das minhas experiências, ou seja, tudo o que vem em seguida tem relação com os anos vividos estudando na faculdade de Computação na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (2009-2013) e na Universidade de Alberta - Canada (2012- 2013).
Se você gosta de jogos e entrou na faculdade de Computação (ou quer entrar por esse motivo) tudo bem. Como eu mencionei no post anterior, acredito que nossos interesses genuínos (não por dinheiro e sim por prazer) são importantíssimos para a escolha de uma profissão. Você pode sim virar um super programador de jogos ou trabalhar com computação gráfica, mas é muito provável que você não saia da faculdade aprendendo a fazer um jogo completo (desculpa se te decepcionei). Mas, só por curiosidade, esses dias perguntei pra um amigo formado em Engenharia Aeronáutica se ele sabia fazer um avião do zero. Ele também não sabe.
Pesquisando no site da UFMS a ementa do curso de Ciência da Computação, um cientista da computação deve ter as seguintes competências e objetivos:
"Objetivos do Curso:
Formar recursos humanos capacitados para o estudo e resolução de problemas que impliquem o uso de sistemas computacionais, inclusive aqueles que envolvem aspectos teóricos da computação;
Formar recursos humanos capacitados a acompanhar os desenvolvimentos teóricos e tecnológicos e conscientes dos poderes e limitações da Computação;
Formar recursos humanos com uma visão humanística consistente e crítica do impacto do seu papel na sociedade;
Formar recursos humanos conhecedores e seguidores dos padrões éticos e morais da área de Computação.
Atividades inerentes:
Gerenciar, projetar e desenvolver softwares tanto convencionais como para Web, utilizando diferentes linguagens de programação;
Trabalhar no processamento de dados científicos e técnicos no desenvolvimento de modelos matemáticos e na construção de algoritmos eficientes para a solução dos problemas;
Gerenciar empresas de tecnologia ou equipes de desenvolvimento de software;
Especificar componentes de hardware;
Projetar, configurar e administrar redes de computadores e banco de dados;
Seguir carreira acadêmica/científica (mestrado e doutorado) para atuar no ensino e pesquisa na área de Computação e Informática."
Essa é a teoria.
Mas o que esse curso, que possui um total de 8 semestres, é presencial e integral, realmente me ensinou?
Se você acha que eu vou começar a filosofar e falar que me ensinou a ser uma pessoa, que me evoluiu, blabla. Não, não, vamos deixar a filosofia para outro momento. O que eu queria enfatizar é uma das frases dos objetivos do curso que acredito que faz todo sentido não só para cursos de Computação, mas para vários cursos de Exatas:
"Formar recursos humanos capacitados para o estudo e resolução de problemas que impliquem o uso de sistemas computacionais, inclusive aqueles que envolvem aspectos teóricos da computação;"
Ser um cientista da computação nada mais é que buscar soluções para problemas. Soluções essas que envolvam, claro, um sistema computacional, beneficiando e automatizando os serviços. É definitivamente isso que aprendi na Computação.
Pensa comigo, em uma época não muito distante, os computadores eram gigantes, os códigos eram impressos em cartões para leitura no computador. Hoje em dia, temos redes neurais poderosas para reconhecer padrões, alto poder computacional, o pequeno celular é um poderosíssimo processador de informações. Ou seja, a tecnologia evoluiu ao longo do tempo. Antigamente programa-se em Prolog, Pascal, ...,. Linguagens de programação quase não usadas atualmente. As mais conhecidas hoje são: C, C++, Java, Matlab, Python, C# e PhP.
E sabe qual a semelhança entre elas? A lógica. Essa é base da Ciência da Computação. Claro, cada linguagem tem uma velocidade de computação, são mais rápidas de implementar dependendo do tipo de dado analisado, tem objetivos diferentes (php por exemplo, é utilizada na Web), C é mais rápida mas não possui tantas funções prontas.
No entanto, alguns comandos básicos são encontrados em todas elas como o elemento condicional ('Se ... então'...'senão') e loops ('enquanto... faça', 'de 1 até 100 faça...').
Eu tenho certeza que se você perguntar para qualquer programador, ele/ela vai falar que não vive sem o StackOverflow, uma comunidade de programadores onde existem milhares de foruns de dúvidas, ou o Google. Brincadeiras a parte, cair a conexão da internet é quase perder um dia de trabalho. Na UFMS, aprendi C, C++ e um pouco de Java e Python. Quando fui para o Canada, as disciplinas exigiam trabalhos em Matlab e C#. Opa, mas eu nunca havia programado nessas linguagens. E ai? Sem problemas. É claro que o trabalho seria muito mais rápido se eu já soubesse a sintaxe dessas linguagens. Mas entenda, a sintaxe é diferente, a lógica é a mesma! Com uma certa ajuda de livros e do Google, o programa é implementado.
Lembro que quando sai da UFMS para fazer intercâmbio, tinha muito medo da dificuldade do idioma (não entender o professor), e principalmente, das disciplinas. Temos a impressão (pelo menos eu tinha) que a universidade canadense seria muito difícil, que eles estariam muito mais evoluídos. Mas a computação é universal, a lógica é universal. Me vi feliz quando percebia que era capaz de realizar os trabalhos com sucesso e grata pela faculdade e professores brasileiros. Se eles tinham melhor infraestrutura? Sim, em questão de conhecimento, os brasileiros não ficavam para atrás.
Uma outra vantagem da faculdade de lá era a diversidade de disponibilidade de disciplinas para certas áreas. Como eu fui no final da faculdade, eu já sabia meus maiores interesses e acabei tendo o privilégio de escolher disciplinas mais específicas de acordo com meu interesse (Visão Computacional, processamento de imagens, inteligência artificial). Nas universidades do Canada, o aluno se forma com um diploma mais especializado (exemplo: Cientista da Computação com conhecimento em Desenvolvimento de Jogos). Sei que algumas faculdades aqui no Brasil também tem essas divisões. Mas na FACOM (2009-2013) era igual para todos.
De qualquer maneira, o maior desafio da faculdade, para quem nunca havia programado na vida antes da faculdade, é o começo. Tirando as matérias de matemática (cálculo 1, 2, álgebra linear, estatística) que são importantes mas não são de programação em si, a disciplina inicial que mais me recordo era aquela na qual não aprendíamos nenhuma linguagem especifica. Programávamos no papel, em 'PORTUGOL'. Eu me lembro bem do professor falando: 'O algoritmo é uma receita de bolo'. E definitivamente é mesmo. A maior parte do nosso código é exato. É multiplicação, é soma, é calculo, são condições, concatena, exclui. Operações. É uma sequência de operações. É uma receita de bolo.
É claro que ao longo do curso aprendemos inúmeras ferramentas como Computação Gráfica, programação Web, sistemas distribuídos, programação de hardware, sistemas operacionais, entre outros. No entanto, é tudo, tudo baseado na lógica e na solução de problemas. E citando aquele livro do poder do agora (filosofando Mariane?), não podemos ver problemas como algo ruim. São só acontecimentos que precisam ser resolvidos e se pensarmos racionalmente, podemos resolver de uma maneira eficiente.
A vida real as vezes não é tão simples, é por isso que as vezes usamos das artimanhas da fé, meditação, yoga, remédios, (álcool?), etc.
A computação ainda não consegue solucionar todos os problemas. Mas é cada vez mais perceptível a interferência dela na nossa vida. Somos dependentes do Netflix, do Spotify, utilizamos o Google, programamos utilizando a busca do StackOverflow, damos risada e aprendemos na plataforma Google, procrastinamos nas Redes Sociais, criamos novas soluções nas próprias ferramentas de software (Excel, Eclipse, Matlab, Word,.. ). A Computação evolui a cada dia, criando novas sintaxes, que precisam ser sempre revisitas, e estudadas. Assim como um médico, um biólogo, um nutricionista, um historiador ou um economista, o cientista da computação não pode parar no tempo, porque a tecnologia muda e muda rápido.
Mas pode ter certeza, que apesar de não parecer ao final da faculdade, você tem mecanismos para construir soluções baseado nos pequenos aprendizados ao longo de cada disciplina. Essa ainda é a nossa diferença para o computador. Somos capazes de construir conhecimento a partir de informações que foram guardadas no nosso grande HD durante toda a vida. Temos um super computador, o maior deles. E mesmo que você fale que o aprendizado de máquina também gera conhecimento, acredito que nada é ainda tão complexo quanto o cérebro humano. Quantos tipos diferentes de problemas temos que resolver? Não somos programas dedicados.
Assim como outras disciplinas, muita coisa será aprendida na prática, principalmente questões foras da lógica como liderança de equipe, estimação de prática e custo ( a engenharia de software ensina isso, mas tem muitos fatores humanos envolvidos que fogem a exatas). Mas o software sai, pode ter certeza.
Ps..: para qualquer curso que você decida fazer, as atividades complementares nas áreas que você acredita que tem interesse (pode ser esporte, iniciação cientifica, ...) são importantíssimas para criação de grupos e dar uma leveza nos estudos. Depois eu conto sobre o que eu fiz durante os quatro anos de UFMS.
Ps2.: a gente não aprende a consertar computador. Inclusive eu formatei o PC do meu pai sem querer no primeiro ano da faculdade. A gente acaba fuçando muito e aprende algumas coisas. Na maioria das vezes procurando no Google por necessidade. Não é isso que a faculdade ensina, ta?
Tem dúvidas sobre o curso?
Me manda mensagem!!!
Beijos e Abraços.
Mariane Neiva
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*brincadeira, talvez eu conserte

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