top of page

Conheça gabriela verruck, Bióloga #mulheresnaciencia

  • 7 de ago. de 2019
  • 4 min de leitura


Começando uma nova série aqui no blog! Toda semana teremos uma mulher incrível que eu tenho orgulho e prazer de acompanhar e gostaria de dividir com todos vocês!!


Pra começar a série, entrevistei Gabriela Verruck, bióloga pela USP, essa jovem pesquisadora que ama escrever e também é redatora no blog Biologia para Biólogos e contou um pouco da sua experiência na carreira acadêmica, desafios, e pesquisas. Confira:



Blog: Por que decidiu cursar Biologia?


Gabriela: Em especial por sempre gostar e pelo grande interesse em estudar a área, mesmo antes do Ensino Médio. Eu amava assistir os programas do Animal Planet e amava tudo que envolvesse o selvagem, então a ideia de cursar Biologia sempre me foi muito atraente e realmente não conseguia me ver fazendo outra coisa.

E a Biologia é muito ampla, eu sempre amei o fato de ela abarcar muitas áreas do conhecimento. E ainda, dá para fazer muita coisa sendo biólogo o que ficou mais claro pra mim depois que entrei no curso. Você pode encontrar um biólogo em quase qualquer lugar e esse é um dos meus encantamentos com a profissão e que me estimulou nessa jornada de cientista, muitas vezes bastante desafiadora, em especial no atual cenário do país.




Blog: Atualmente você esta trabalhando com 'Manejo do Chaetopterus sp.: influência de fatores bióticos e abióticos na expectativa de vida e na bioluminescência’,  pode contar um pouco da sua pesquisa pra gente?



imagem meramente ilustrativa


Gabriela: Essa pesquisa acabou sendo mais ainda do que esperava. Nela, eu desenvolvi um protocolo de criação em aquário do Chaetopterus sp., um bicho bem desconhecido, mas muito interessante, em especial por ser bioluminescente. Ele é um anelídeo marinho, algo como uma minhoca marinha, que vive dentro de um tubo de aspecto de pergaminho, enterrado no sedimento, com um formato de U, ou seja, tudo o que vemos do tubo onde ele vive são as suas duas pontas que ficam para fora. E é assim que identificamos esse bicho quando estamos coletando fazendo mergulho de cilindro.


Depois que coleto, trago cada um deles para o IO-USP (Instituto Oceanográfico) e coloco nos aquários e ali dou os alimentos e assim, eu pude aos poucos desenvolver o protocolo de criação. Isso é muito importante para conhecer sobre os comportamentos e a história natural da espécie e é essencial para estimular os estudos químicos que meu laboratório realiza buscando entender como se dá a emissão de luz nesse animal.

Isso porque esse animal brilha em várias regiões do seu corpo e também libera um muco bioluminescente e para obter esse muco, é preciso ter o animal vivo. E, os tendo no laboratório tudo isso fica mais fácil.


Por fim, o laboratório buscou fazer um vasto registro fotográfico e de vídeos da bioluminescência do Chaetopterus, porque praticamente não existe nada e esse tipo de filmagem é relativamente complexo de ser feito (mas estamos melhorando). E então, novamente, ter o animal vivo é essencial para poder fazer esse registro e aí entra (de novo) a necessidade de criar esse bicho em aquários no laboratório.




Blog: Também vi que essa é sua segunda iniciação científica e que na primeira trabalhou com formigas, como foi essa experiência e o que levou a busca por uma nova pesquisa?


imagem meramente ilustrativa

Gabriela: As formigas me encantaram. Eu trabalhava com análise de comportamento de memória e aprendizagem de uma espécie chamada Pachychondyla striata. A pesquisa em si foi muito interessante e eu sou completamente apaixonada pela área de etologia (comportamento animal), mas eu tive um grande desestímulo relacionado com as pessoas do meio acadêmico/científico e às formas opostas que víamos os resultados que obtive.


Assim, eu decidi fazer uma segunda IC (Iniciação Científica). Eu não sabia bem o que eu buscava quando encontrei a minha atual pesquisa e acabei “sendo levada” até ela. Eu descobri o meu laboratório por meio de uma disciplina que cursei no IO-USP bem no período que buscava a nova IC e me encantei bastante e acabei decidindo assumir a posição da primeira bióloga em um laboratório voltado para química.



Blog: Você também é redatora do blog Biologia para todos, o que você acha sobre a situação da educação no Brasil e a qual a importância da divulgação científica? 

Gabriela: Além de amar escrever, a principal razão para eu estar nesse blog é por poder fazer divulgação científica. As pessoas não sabem como a pesquisa e a universidade funcionam e isso nos mantém muito afastados da sociedade. Eu enxergo isso como uma das grandes razões para o desmantelamento que temos vivido no país, os cortes na educação e nas bolsas e, até assustadoramente, o apoio de boa parte da população brasileira.


A sociedade precisa ter acesso à ciência. Precisa ver que não está distante delas, mas que, muito pelo contrário, elas podem ser cientistas ao tirar a foto de um pássaro e colocar em redes sociais que servem só para observar e catalogar aves, por exemplo. A sociedade precisa ver que nas universidades públicas não tem balbúrdia, mas sim acesso a novos conhecimentos, a novas ideias, tem debates e uma infinidade de pensamentos diferentes que tornam o ambiente universitário enriquecedor.


Divulgar a ciência é mostrar que fazemos algo e que fazer ciência é importante, porque ela gera frutos para a sociedade. É mostrar que ela só tem um celular onde ela mexe nas redes sociais por causa da ciência, ou então um carro para dirigir, ou um ônibus.


A educação no Brasil passa momentos muito difíceis e lutar por ela é essencial. Quase nenhum país no mundo possui universidades públicas, em especial de tamanha qualidade. Temos de ressaltar isso. Ver que isso é um direito incrível que obtivemos e que não podemos abrir mão.


Um país que cresce e que se desenvolve precisa de educação e precisa de ciência.



Blog: Tem planos para o futuro? Deseja seguir carreira acadêmica? 


Gabriela: Sim, agora que formei estou estudando pro Doutorado no IO-USP, com o mesmo laboratório onde fiz a minha IC. O LBMar (Laboratório de Bioluminescencia Marinha). O que farei no doutorado ainda não está 100% certo, mas os Chaetopterus continuam na minha linha de pesquisa. Então, sim, desejo carreira acadêmica.



Blog: O que gosta de fazer nas áreas vagas?


Gabriela: Nossa, muitas coisas. Eu faço aula de canto, eu danço, vou ao parque, leio bastante, escrevo muito, vejo filmes. Eu saio para comer, vejo meus amigos, viajo, visito parentes. Nas horas vagas eu busco fazer o que me der vontade e o que me faz bem.



Gostou?


nos acompanhe nas redes sociais:


Tecnologia, ciência e consciência - www.instagram.com/comcienciablog

Acompanhe meu dia a dia - www.instagram.com/maribneiva

Gabriela Verruck - www.instagram.com/gabi.verruck



Biologia para biologos - www.biologiaparabiologos.com.br






 
 
 

Comentários


  • Twitter Social Icon
  • Instagram Social Icon

© 2023 por Armário Confidencial. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page