2 ENCONTRO PAULISTA DE PÓS-GRADUANDOS EM COMPUTAÇÃO
- 9 de nov. de 2018
- 4 min de leitura

Ontem (8/11) rolou o EPPC (Encontro Paulista de Pós-Graduandos em Computação). O evento está na sua segunda edição e é a primeira vez que participo.
Para incentivar a participação dos alunos, O ICMC - USP disponibilizou um onibus e às 8 horas saímos rumo a Campinas. A viagem foi bem tranquila com a participação especial de roncos como trilha sonora (rsrs).
Chegamos à Unicamp por volta de 10 horas e... pausa para uma apreciação no Laboratório de Leptons da universidade https://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2017/06/06/laboratorio-de-leptons-comeca-operar. Fiquei bem impressionada. Belo grafite, não?.
Volta.
O evento contou com duas palestras separadas por um brunch e a apresentação dos posteres. Sobre as palestras:
Palestra: “Quarenta+ anos de Computação Paralela – uma visão pessoal”, prof. Dr. Siang Wun Song, :
Mesmo não sendo da área, adorei a palestra. O professor, que começou seu doutorado em 1976 na Carnegie Mellon, contou um pouco do histórico da computação paralela mostrando por exemplo a diferença do tamanho dos transistores que eram utilizados antigamente em relação aos atuais, o tamanho passou de 5 micrômetros para 5 nanometros (510.000 vezes menor considerando a área).
Ele também mostrou um resgate na pesquisa cientifica que o Google fez recentemente ao se inspitar em um array sistólico proposto em 1978. O array de 1978 tinha como objetivo implementar algoritmos específicos, como a multiplicação de matrizes, diretamente no chip. O google então, produziu o Google Tensor Unit que é atualmente utilizado no Google Search, Google Street View, Google translate para acelerar as computações de redes neurais em aprendizado de máquina.
Mais que uma palestra sobre computação paralela, prof Song deu conselhos ao longo de toda palestra:
'Para publicar um trabalho não basta ter uma boa ideia. Uma boa ideia é como um diamante. Precisa ser cuidadosamente lapidado e polido para ser apreciado e mostrar toda a sua beleza.'
E não é verdade? Para a maioria dos pesquisadores que estão na pós-graduação, a pesquisa é o trabalho. 'Mas você só estuda? Sim'. Hoje em dia, é muito comum avaliar um pesquisador pelo número de publicações e citações. Mas, como ter um trabalho publicado? Vendendo bem o peixe. Por isso, a lapidação da ideia, a busca pela melhor forma de apresentação é extremamente importante. É essencial ter confiança naquilo que esta sendo 'vendido' para ter um artigo relevante publicamente.
Em 40 anos de pesquisa, dr. Song já passou por muita coisa desde fazer contas na mão (existiam poucos computadores para trabalhar com computação paralela em 1976) até a fabricação de super computadores e o advento das redes neurais profundas, potentes mecanismos para análise de dados.
Talvez você não entenda nada do que eu estou falando. No entanto, o que mais me agradou na palestra foi ver o entusiasmo do pesquisador por todo o crescimento da área. Claramente ele ama o que faz. E isso é divino, a melhor lição.
Palestra: Prof. Dr. Marcelo Knobel, professor do Instituto de Física e Reitor da Unicamp
Sabe quando o cara é bom? O professor Marcelo chegou contando que não havia se preparado para a palestra e que tinha até esquecido sobre o que deveria falar. Com longa carreira e algumas cartas na mão, sugeriu três temas para que votassemos.
O tema escolhido foi: 'A prática da divulgação científica'. Durante a palestra, diversas falácias que acabam virando verdades populares por falta de conhecimento e interesse científico foram abordadas como:
A utilização errônea do termo quântico em diversos livros e publicações 'holisticas' sem nenhuma base científica. Em uma pesquisa no amazon, por exemplo, a procura pelo termo 'quantum' retorna inicialmente resultados que relacionam quântica com 'medicina corporal', 'poder de cura', 'anti envelhecimento', entre outros assuntos sem muita comprovação científica.
Somar a data de nascimento da criança para definir a direção da cabeceira do berço. Oi???
A crença de que falar ao celular em posto de gasolina pode causar explosões virou até multa (em 2003 pela prefeita Marta Suplicy).
Ainda, citou a terapia magnética por meio de travesseiros e água e
Até a propagação de uma pesquisa científica em outro 80 artigos que haviam dados falsos e manipulação de resultados (de Hendrick Schon - 'Superstars'). Que coisa feia hein moço?
Lembram o caso da Fosfoetanolamina, 'a pilula do cancer', sem nenhuma base científica comprovada mas com milhares de pessoas desesperadas por uma solução, a notícia causou diversos problemas na universidade com pessoas invadindo laboratórios e acusando os pesquisadores, quando a realidade era que não havia nada comprovado cientificamente para que o produto chegasse ao paciente com segurança.
Hoje em dia existem milhares de terapias alternativas como uso de florais, homeopatia, reiki, astrologia, .... Se isso é comprovado cientificamente? Não. Para ser considerado científico, um certo assunto deve passar por experimentação, criação de hipotese, teoria, predição e modificação. A ciência busca entender o mundo real e espera encontrar respostas para tudo.
Se as terapias alternativas são inutéis? Claro que não. Eu mesma acredito em várias delas. Assim como a religião, o ser humano se sente fortalecido e acolhido por pseudo-ciências. É errado? Não. Porém, preciesamos ter um olhar critico e duvidar de tudo (principalmente mensagens encaminhadas do facebook). O que funciona com a prima da vizinha da tia avó talvez não funcione com você.
Várias fontes e mais informações interessantes estão nos slide do professor dr. Knobel. Vale a pena conferir: https://pt.slideshare.net/knobel/divulgacao-cientifica
Durante o evento, aconteceu uma sessão de poster para que os pesquisadores pudessem divulgar suas pesquisas, conhecer outros pesquisadores e possivelmente gerar colaborações. Para mim, ideias novas, sugestões e algumas possíveis colaborações surgiram no evento. O legal foi conhecer pessoas da minha própria universidades (ois Guilherme, Diego, Mariana, Carol 1 e Carol 2).
Após a segunda palestra, retornamos a chuvosa São Carlos.
Ano que vem estaremos lá de novo!
Espero que tenham sentido um pouco do meu dia por aqui!
Qualquer dúvida ou se quiser mais informações nao se acanhe e mande mensagem!
Beijos
Mariane Neiva.

Muito bom! Seria interessante alguma forma e conscientizar as pessoas a terem um posicionamento mais crítico. Assim elas seriam menos propensas a acreditarem nessas falácias.